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acho que fui enganada.

não há mais festas, nem carnaval...

sonhos pela realidade.

Oito horas da manhã, ouço o despertador tocar. Abro os olhos lentamente, sentindo os raios solares penetrarem, aos poucos, entre minhas pálpebras. Ao abrir totalmente os olhos me deparo com a janela do meu quarto aberta, escancarada, e através dela vejo uma paisagem incomum, não a mesma de todos os dias. Pra começar, não estava no oitavo andar de um prédio e, sim, numa casa. As ruas não estavam intransitáveis, haviam poucos carros no asfalto e muitos jovens andando de bicicleta e patins.
Corri para fora de casa do jeito que estava vestida, de pijama mesmo. Minhas pantufas pisavam uma grama verde reluzente. Admirada, mirei o canteiro de girassóis que habitava meu jardim. Minhas flores preferidas. Meus pensamentos foram interrompidos ao sentir as patas pesadas de minha cadela em minhas pernas. Winnye. Ela havia morrido há dois anos. Agora ela estava aqui.
Acompanhada de Winnye, saí de meu quintal. A rua tinha mais árvores. Os cachorros que estava acostumada a ver abandonados agora estavam usando coleiras que eram seguradas por seus donos. Não havia ninguém morando na rua e tive a impressão de que tinha visto um mendigo que fora apelidado de "Tá ligado" vestindo roupas limpas e com o cabelo cortado. Por hábito, fui à banca comprar jornal e me maravilhei com as manchetes: Total preservação da Amazônia, paz no oriente médio, hospitais e escolas públicas funcionando bem, fim da fome na África... Ouvi um barulho estranho, de onde veio? Olho ao meu redor procurando o que estava fazendo o som.
Oito horas da manhã. Era o despertador tocando. Não havia luz solar entrando em meu quarto, a cortina estava fechada. Não havia uma bela paisagem. Saindo de meu apartamento, minhas pantufas pisavam o chão gelado da portaria. Não haviam girassóis, só grades. Não havia Winnye e o "Tá ligado" estava vagando sujismundo, resmungando por aí. Nas manchetes dos jornais só havia denuncias de corrupção e mortes. Eu havia sonhando, mas parecia real. Poderia ter sido real.


sinceramente, não gosto desse texto. acho bobo.
mas acho que sou boba mesmo.
Read More 0 comentários | Postado por Etty Almosny edit post

aquelas pessoas

Eu conseguia ouvir os gritos e aplausos. Finalmente havia chegado. Estava cansada, gotas de suor surgiam em minha testa e minha nuca. Ofegando, me inclinei para baixo visando olhar as pessoas que tanto gritavam. Engraçado, estava tão alta que todos abaixo pareciam formiguinhas. Sorri. Não havia como não o fazer. Ainda carregando o peso da mochila em minhas costas, suspirei esbanjando orgulho. As pessoas lá embaixo esperavam que eu chegasse e eu consegui.
Olhei ao meu redor e por pouco meus lábios não rasgaram devido ao tamanho do sorriso. Estava com a grama mais verde e reluzente aos meus pés. Sentia o sol esquentando minha pele, mas não queimando. Flores coloriam e perfumavam a paisagem, que se tornava mais bonita a cada vez que a mirava. Estava no paraíso. O barulho das águas cristalinas do rio que corria no local era o único som presente. Antes que notasse, estava ajoelhada de frente para o rio, com minhas mãos unidas em formato de concha, levando aquela água pura ao meu rosto. Olhando meu reflexo no rio constatei: Valeu a pena. Todo o esforço, toda a preparação, toda a pressão. No fim, eu iria desfrutar de tudo o que aquela escalada me proporcionou.
Levantei-me e finalmente tirei a mochila, a larguei embaixo da sombra de uma árvore que parecia ter sido criada para meu descanso. Fui dobrando meus joelhos, abaixando para poder, então, descansar. A grama estava fresca e mal podia esperar para cochilar após tanto esforço.
- Não!
Ouvi o grito e, em um pulo, me levantei. Corri para a beirada e vi as pessoas, que antes se encontravam felizes me aplaudindo, me olharem com cara de negação. O que havia acontecido? Eu cheguei aonde eles tanto queriam, o que poderia ser melhor que isso? Agora essas pessoas apontavam seus indicadores para outra direção. Seguindo a trilha imaginária que os dedos faziam, me deparei com outro local. Muito mais longe e muito mais alto do que todos os outros em que eu já havia ido. A grama era muito mais verde do que a que eu pisava. As arvores eram mais elegantes, as flores pareciam ser mais cheirosas. Eu nem havia descansado, mas aquelas pessoas queriam tanto que eu chegasse lá... Se tantas pessoas queriam que eu fizesse isso, não deve ser de todo mal. Botei a mochila pesada em minhas costas novamente e dei o primeiro passo. Chegaria lá por aquelas pessoas.
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    Etty Almosny
    19 anos. bobalhona. ri alto. despreocupada. gremista, mas não é gaúcha. estudante de comunicação. adora sapatos e pulseiras coloridas. sonha em ter um peixe-boi. sua cor preferida é amarelo. ama música. ama metáforas.
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