Corri para fora de casa do jeito que estava vestida, de pijama mesmo. Minhas pantufas pisavam uma grama verde reluzente. Admirada, mirei o canteiro de girassóis que habitava meu jardim. Minhas flores preferidas. Meus pensamentos foram interrompidos ao sentir as patas pesadas de minha cadela em minhas pernas. Winnye. Ela havia morrido há dois anos. Agora ela estava aqui.
Acompanhada de Winnye, saí de meu quintal. A rua tinha mais árvores. Os cachorros que estava acostumada a ver abandonados agora estavam usando coleiras que eram seguradas por seus donos. Não havia ninguém morando na rua e tive a impressão de que tinha visto um mendigo que fora apelidado de "Tá ligado" vestindo roupas limpas e com o cabelo cortado. Por hábito, fui à banca comprar jornal e me maravilhei com as manchetes: Total preservação da Amazônia, paz no oriente médio, hospitais e escolas públicas funcionando bem, fim da fome na África... Ouvi um barulho estranho, de onde veio? Olho ao meu redor procurando o que estava fazendo o som.
Oito horas da manhã. Era o despertador tocando. Não havia luz solar entrando em meu quarto, a cortina estava fechada. Não havia uma bela paisagem. Saindo de meu apartamento, minhas pantufas pisavam o chão gelado da portaria. Não haviam girassóis, só grades. Não havia Winnye e o "Tá ligado" estava vagando sujismundo, resmungando por aí. Nas manchetes dos jornais só havia denuncias de corrupção e mortes. Eu havia sonhando, mas parecia real. Poderia ter sido real.
sinceramente, não gosto desse texto. acho bobo.
mas acho que sou boba mesmo.
